Pilates no AVE

Pilates no AVE ou AVC foi um dos temas dissertados no nosso último curso de pilates em São Paulo e é algo relativamente novo e para entender-lo melhor e realizar a prescrição de exercícios devemos conhecer bem essa patologia.

Em virtude de que elaboramos esse artigo preparamos ademais um ebook incrível pra você sobre pilates e avc e pode baixar-lo aqui: ebook de pilates e avc

Além disso o AVE (acidente vascular encefálico) também conhecido como AVC (acidente vascular cerebral), se caracteriza em primeiro lugar por uma obstrução em algum vaso que impede o fluxo sanguíneo de chegar a região cerebral (ave isquêmico) e em segundo lugar pelo rompimento de um vaso sanguíneo portanto leva a um sangramento no interior ou ao redor do cérebro (ave hemorrágico).

foto interna de AVE hemorrágico

Inegavelmente cerca de 80% dos casos são isquêmicos e os hemorrágicos muitas vezes deixam sequelas maiores, porém não é uma regra.
Várias são as causas para o AVE, a hipertensão arterial é o principal
fator de risco. A seguir, vêm o diabetes, as doenças cardíacas e o
tabagismo.


Manifestações clínicas

As manifestações clínicas dependem da área que foi atingida e do tamanho da lesão, portanto várias alterações podem ser observadas num contesto geral.

São elas:

  • Função sensorial,
  • Comportamento mental,
  • Função perceptiva,
  • A mesma função de linguagem e comunicação,
  • Função motora,
  • Alterações do tônus e
  • Perda do controle postural.

Em virtude de tudo descrito acima observa-se através dessas alterações, dificuldades no controle da postura, perda do equilíbrio e da parte proprioceptiva, hipotonia nos
primeiros dias ou semanas, seguida de hipertonia nos membros
superiores e inferiores.


APLICABILIDADE DO PILATES NO AVE

Seguindo essas alterações clínicas é que a sessão de Pilates se destinará para o maior aproveitamento contra os padrões instalados ou que podem se instalar e focando como resultado a melhora da postura, força, flexibilidade, equilíbrio e coordenação motora.

Como existe uma hipertonia dos músculos, uma boa sugestão seria os movimentos de enrolar e desenrolar a coluna, pois além de trabalhar a mobilidade articular da coluna vertebral, relaxam e alongam a musculatura
dorsal.


Princípios do pilates no AVE.

Joseph Pilates criou o Método para que houvesse uma integração entre corpo e mente, e acreditava que a prática de seus exercícios melhorariam a qualidade de vida através do ganho de força, flexibilidade e consciência
corporal e como resultado final o paciente ganharia mais saúde! Dentre tantos princípios aplicados aos exercícios de pilates alguns se destacam: respiração, centro (power house), concentração, controle, precisão e fluidez. Esses princípios, dentro do possível tentarão ser aplicados aos pacientes com AVE.

Lembrete:

Lembrando que as sugestões de exercícios podem ser alteradas de acordo com as sequelas do paciente. Os exercícios propostos podem ser modificados ou não devido ao fato que devem ser utilizados dependendo da fase e das sequelas que o paciente apresenta.


Proposta de exercícios práticos de pilates no ave:

Cat

Objetivo – relaxar e alongar a musculatura dorsal

Instruções- posição de joelhos com as mãos segurando a barra móvel, inspirar na posição inicial e expirar
enrolando a coluna até o tronco ficar paralelo a cama, os glúteos devem chegar o mais próximo dos
calcanhares. Inspirar nessa posição e expirar desenrolando a coluna vértebra por vértebra até a posição inicial.

Precauções – o instrutor deve ficar ao lado do paciente devido a fragilidade do lado comprometido para que não ocorra um grande desequilíbrio.

Erros Comuns – inclinação do tronco para o lado comprometido e perda de contato com a barra por falta de apreensão da mão.

Modificações – colocar uma mão sobre a outra, o lado comprometido embaixo do lado sadio. Observa-se que o pé fica em dorsiflexão pois normalmente esses pacientes apresentam flexão plantar.

Adaptação do “Spine Stretch” – Mobilização da
coluna com descarga de peso nos MMSS

Objetivo – Exercício com a mesma proposta para alongamento da musculatura dorsal, porém com estímulo de equilíbrio com o uso da bola e leve descarga de peso nos membros
superiores

Instruções- posição inicial sentada sobre a bola, inspirar e expirar enrolando a coluna até colocar as mãos no pedal e abaixá-los. Inspirar na posição, expirar desenrolando a coluna.
Caso o paciente consiga, realizar um bombeamento e retornar.

Precauções – observar se o paciente consegue controlar o pedal com o braço comprometido para não correr o risco de machucar e atenção ao equilíbrio sobre a bola.

Erros Comuns – flexão do punho quando abaixa o pedal e perda
do equilíbrio na volta do movimento.

Modificações – colocar uma mão sobre a outra, o lado comprometido embaixo do lado sadio. Caso o paciente tenha dificuldade de realizar o exercício sentado na bola, pode ser feito sentado sobre uma base estável como a long box.

Footwork

O fortalecimento muscular dos membros inferiores também se torna muito importante, no caso pode ser utilizada a Série do Footwork, com uma atenção especial mais uma vez aos pés porque para esses pacientes é interessante não utilizar os pés em ponta.

Objetivo – fortalecimento dos MMII (membros inferiores), controle de quadril na posição neutra e trabalho dos pés em dorsiflexão.

Instruções- deitado sobre o Reformer com os pés sobre a barra, inspirar na posição e expirar empurrando o carrinho. Trabalhar com o apoio dos pés no arco plantar, depois no calcanhar e com os pés em “V”. Estimular o
paciente a manter uma dorsiflexão.

Precauções – atenção a perna comprometida que pode escapar da barra.

Erros Comuns – inversão com dorsiflexão do pé comprometido, instabilidade na região do quadril (atenção
com a carga).

Modificações – abaixar a barra para maior controle do movimento e realizar os movimentos unilateralmente.
O trabalho dos tornozelos pode ser feito com ênfase na dorsiflexão.

Preparação para “Swan” – Fortalecimento da musculatura dorsal e trabalho postural.

Objetivo – fortalecer a musculatura dorsal principalmente para maior controle do tronco nesses pacientes.


Instruções- pés apoiados (observe a posição dos pés para alongamento do tendão de aquiles, sóleo e gastrocnêmio), as mãos podem ficar cruzadas a frente ou os braços podem elevar com os dedos entrelaçados caso o paciente não consiga erguer o braço comprometido. Inspirar com o tronco contornando a caixa, expirar subindo o tronco. Inspirar e expirar voltando. Pode ficar parado na posição ereta e movimentar apenas os braços.

Precauções – auxiliar na subida do tronco caso o paciente tenha dificuldade e algumas vezes não descer totalmente o tronco pois esses pacientes tem tontura quando ficam com a cabeça para baixo. Nesse caso em
especial, pois o exercício requer maior foça muscular

Erros Comuns – o pé comprometido perde o apoio portanto algumas vezes é preciso segurá-lo. Cuidado com a perda do alinhamento do tronco durante a elevação.

Modificações – trabalhar com as mãos na nuca, e colocar os pés mais alto (grau de dificuldade maior). Fazer rotação de tronco.

Preparação para “Rowings” – Remada Aberta.

Objetivo – fortalecimento dos músculos da cintura escapular e postura.

Instruções- sentado com as pernas cruzadas segurando a barra, inspirar para preparar, expirar flexionando os
cotovelos, trazendo a barra próxima ao peito, inspirar retornando.

Precauções – cuidado ao realizar o movimento para que o braço comprometido não solte a barra de forma brusca.

Erros Comuns – desalinhamento dos MMSS no momento da remada (o cotovelo do lado comprometido pode ficar bem mais baixo) e perda da postura.

Modificações – utilizar faixas elásticas para o movimento que pode ser feito da mesma forma em outras posições (de joelhos, em pé) e pode realizar o movimento com a pegada invertida.


Conclusão final de pilates no ave.

Todos os exercícios propostos não são uma regra a ser seguida pois pacientes com AVE apresentam diferentes sequelas, porém em um contesto geral são aplicáveis.

Atenção especial aos sinais e sintomas desse paciente como tontura e dor. Muitas vezes apresentam tontura em alguns exercícios ou por utilizar a respiração, nesses casos suspende-se o padrão de respiração (inspiração pelo nariz e expiração pela boca).

Esses pacientes se sentem muito realizados ao conseguirem executar os movimentos porque reintegrá-lo e colocá-lo em situações em que ele é
desafiado o torna mais feliz, motivado e principalmente capaz. O Pilates oferece ao paciente desafios portanto melhora sua concentração, postura e o faz alcançar grandes progressos.

Fernanda Alves

Fernanda Alves é Fisioterapeuta e Proprietária do Studio Alves Pilates e Fisioterapia e ademais é pós Graduada em Fisioterapia Músculo-Esquelética e trabalha
com Pilates a 10 anos e a 7 anos em pacientes com AVE.


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